A trovoada

pintei por anos

em bairros distantes

barros, instantes,

prática sem teoria

e quem diria,

lá eu veria

todas as cores,

do azul à lima,

o afeto, o clima,

não havia esforço

em ser só cor,

ainda torço

o meu renascer

em pedra, me ver

pintar, de novo,

o amanhecer

em terra de povo

que clama a arte

"mas arte..." reclamam,

não veem

se veem, só vem

arremessada,

engolida, degustada,

cuspida e sem gosto,

no rosto,

o vazio de quem

não soube ouvir

a trovoada

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