viajante

vales, campos, dizeres

lares, tempos e seres

a viagem de um tempo

no momento mais preciso

em que preciso conhecer

mais de uma vez

o que vai ser

de mim,

o que vai ser?

sem calçada nem calçado

sol nascente é sol do lado

já me abraça sentimentos

de uma vida em meados

de janeiros, fevereiros

meia lua e sóis inteiros

somos nós em nós, faceiros

obras de algum feiticeiro

que cansou do mar ligeiro

e trouxe onda! toda a brisa

entardece e nem avisa

falta cor no céu de pedra

sobra amor em sobrevista

em que a pedra nem se pole

nem precisa, já em si, está

a noite que nos guarda

pega a mão que é gelada

trás pra dentro, encaixa certo

trás bem perto, o resto invento

nem preciso mais falar

da história de um viajante

que em colina verdejante

trouxe o canto a quem encante

e renovou o dom de amar

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