sobreouvir
ao meu silêncio, escuto
sua vida me atravessa
seu interesse, seu destino,
seu medo repentino,
e agora?
o que faço com isso?
sua parte passageira
parte inteira ou fragmentada?
a que fica comigo
foi sentida ou foi roubada?
não sei de perto
memória tem dono?
não sei se abandono
ou me alimento,
quanto ao certo, ainda tento
ver, o que fica no fim?
ao soubreouvir,
me vejo atento
ao conto lento,
torno-te parte de mim