ida

quem parte, convida

ao gole amargo da ida

respira estradas passageiras

conversas sem linhas ou beiras

na espera do gosto da chegada

iminente, traz fim ao movimento

de fora, concede a dança ao peito

que pensa de dentro,

congela o tempo para encenar

a passagem do medo que

a distância traz,

refaz seus caminhos de pontos

de vista outrora incapaz

e percebe:

a ida é a bebida doce

por mais forte que fosse,

desce

e pede por mais,

na chegada de destinos

por seus carros ou sinos

não sabe ainda, mas quer

provar um pouco mais

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