vidinha

eu vejo você

aí mesmo

na calçada de casa

rindo sozinho

da próprio desgraça,

contempla o som

da vida sem cheiro,

o perdão à mãe

que chega, longe

esqueceu da pia

cheia...

eu vejo você

de novo, todo dia

que saio de casa

no vizinho, na tia

que passeia na praça,

na moça da banca

no bolo da massa

que até cresce, parece

mas murcha em vento

norte, daqueles, forte

que levaria embora

o pior dos sonhadores

mas enquanto o bolo assa

unem-se as dores,

rancores enlaça:

ê, diacho,

vidinha sem graça.

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