distante

e se eu perder o juízo?

e se eu tirar da frente

essa busca por sentido

o que sobra, o que somos?

toco a mão do vento e danço?

ensaio em casa o seu balanço?

escrevo em caixa alta o espanto

em ver cor no sorriso manso?

envolto em perguntas ainda discretas

trocado por frases que falam nas indiretas

e contam, na medida incerta

o quão difícil é abrir mão

de si, da explicação,

quando um sentimento desperta,

ainda mais aquele que volta!

que segura a mão e solta

ilumina e "alumeia"

no tropeço, pega o pulo

e torna mundo um grão de areia,

precisamente na estação

em que me vejo como outono,

como folha seca ao norte

pra nem depender da sorte:

sopro o som e sigo a brisa

essa em que você me avisa:

ainda vamos muito longe

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