amanhã sonharei de novo

ontem, sonhei com você

amanhã, sonharei de novo

me carrega, pensamento

me mostra o indizível

sem palavras, sem pudor

era hora de acordar

em hora nao tão bem-vinda

em sol, a fresta brinda

sou eu em desencanto

ontem, sonhei com você

amanhã, sonharei de novo

é daqueles temporários

esqueço em estantes

andando pela casa

já falei com as paredes

em monólogos fracos

batem palma… frustradas

“mais um dia sem ela”

a resposta

ontem, sonhei com você

amanhã, sonharei de novo

“como isso?” perguntaram

“bruxaria? reza braba?”

quem me dera, disse eu

o suor era no olho

treinado a ficar fechado

só pra ver mais um bocado

aquele segundo de sonho

quase lá…

ontem sonhei com você

amanhã talvez não sonhe

em noite escura, ando breve

rumo à manhã rotineira

faço caso, me ignoro

abro logo a torneira

pingo d’água, consolado,

parto com a esperança

de fechar os olhos cedo

e abrir na sua memória

ontem, não sonhei com você

amanhã, não sonharei de novo

logo em segunda-feira

ouço a rádio, só besteira

faço o mate, ligo a mente

sintonizo que nem gente

no calor da madrugada

de pé e mão gelada

entendi

eu

que tanto absorvi

reflito em voz audível

que o encontro dos meu sonhos

era o encontro do impossível (?)

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nunca falei das flores